segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Excelente definição nas palavras do Dr. Dráuzio Varela


Mais uma partilha. Desta vez sobre a concordância com as ideias deste singular profissional. Vejam sua definição de relacionamento abaixo:

"Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil" ... vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom, e merece ser desenvolvido.
Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a sí mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração...Uma armadilha.
Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia. Cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair ou um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo e, para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Experiências com tecnologias

Estou começando mais uma caminhada nas reflexões pedagógicas. E como em uma caminhada acadêmica nunca andamos sozinhos, tenho novos parceiros de discussão sobre as novas tecnologias para a educação. Desta vez são os meus alunos da disciplina Gestão Educacional e Novas Tecnologias. Começamos uma conversa gostosa sobre a Sociedade da Informação. Situamos o novo contexto, os documentos que anunciam e denunciam este momento.



Em seguida, enveredamos para os impactos das novas tecnologias na vida contemporânea. Partilhamos das nossas impressões sobre os impactos visíveis na nossa vida diária, causados pela entrada e utilização das novas tecnologias, desde o levantamento de dinheiro em caixas de autoatendimento, aparelhos celulares multimídias, carros com multos canais de comunicação entre outras coisas. Falamos também dos espaços virtuais que nos permitem ter outras vidas, criar e exercitar novas identidades e vivenciar outras aprendizagens.



Situamos também os estágios da web e a relação com os papéis o utilizador das novas tecnologias. E começamos a discutir os desafios postos à educação. Para atender a esse fim, expus a história da entrada das tecnologias ao longo da história educacional do Brasil, estudo realizado por Lucena e Fucks (2002). Tecnologias impostas por decisões governamentais para atender aos problemas existentes no espaço educativo. Sem formação e sem condições de manutenção do parque tecnológico, a escola e seus profissionais assumiram posições de descréditos a estes equipamentos.



As discussões que enveredaremos daqui para a frente são: Como é possível aproximar a tecnologia da educação? Quais as saídas que enquanto gestor devo tomar?



Bem, só posso esperar que juntos nos desbrucemos sobre as questões e apresentemos nossas percepções desta problemática e as saídas pensadas por nós ou advindas de nossas pesquisas.



Até lá!

domingo, 22 de junho de 2008

Ética e profissionalidade docente: conceitos possíveis?

Estou lendo sobre profissionalidade docente e em um artigo escrito pela professora Ilma Veiga para a Revista de Educação da PUC de Campinas de junho de 2007, esta pesquisadora desenvolvendo o tema da relação ética e profissionalidade docente, em vários momentos de seu texto chama a atenção para o homem com um ser de relações e que as profissões são relacionais ao envolver um outro, que cria expectativa sobre o profissional e vice-versa. Nada mais oportuno e urgente trabalhos e debates como o expresso neste artigo.

Em todo o momento da leitura, me via analisando a realidade estrutural da educação nas escolas municipais e estaduais do meu estado, o Maranhão. Convivo com uma amiga que é professora locada nestas duas realidades. E em conversas informais, onde trocamos impressões de nossas experiências profissionais e nos relatos feitos por esta amiga estão expressos uma série de atitudes praticadas pelos professores que vão inserir-se justamente nesse debate sobre a ética.

Me interessei em realizar uma investigação sobre esse tema quando voltar ao Brasil, pois questões como as que coloco, me interessam demais. São elas: como tais professores e professoras compreendem aspectos éticos do seu trabalho e a natureza humana de suas relações? Como desenvolver uma formação em que este tema fosse o elemento central sem dar de frente com as personalidades dos professores, onde alguns elementos já deveriam estar balizados e solidificados? Como encontrar formas de promover uma educação ética e pelo exercício da ética em territórios hostilizados e marginalizados?
São algumas das questões que me interessam e gostaria de chamar ao debate como forma de amadurecer as ideias.

Cumprimentos e votos de bom trabalho a todos!

terça-feira, 6 de maio de 2008

AVALIAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE

“Ninguém é tão pequeno que não possa ensinar, nem tão grande ao ponto de não ter o que aprender...Aprender é ensinar.

“A liberdade é o espaço que a felicidade precisa”
O que é? A quem cabe? E como deve ser feita? Devem ser os questionamentos que nos ajudam a entender a importância desse processo que acontece não a revelia de qualquer sujeito que terá seu trabalho julgado, avaliado, sentenciado.
Está em discussão no momento em Portugal se o trabalho dos professores deve ser avaliado pelos alunos, pelos pais. Oras, eu pergunto, unidos, pais e alunos formam o que, senão aquilo a que chamamos comunidade escolar? Portanto, por que seria tão absurdo chamar esses outros sujeitos para o seio do processo de avaliação que os atinge directa ou indirectamente, tomando-os ou não como referência.
Se permitir ser avaliada é exercer aquilo por quem Paulo Freire lutou: exercer a educação como prática de liberdade. É permitir dar a palavra também àquele a quem só é pedida que reproduza conhecimento (de um outro) ou que produza conhecimento dentro de estratégias que nem sempre o levam em consideração, o tem como foco.
Só uma escola que prega a tolerância, a liberdade, a criatividade, a autonomia e capacidade crítica do educando e o respeito é capaz de se abrir ao risco de se deixar ser avaliada. Porque ela não teme os resultados. Ela quer que os resultados ganhem rumo e alcem voo por todo o mundo. E a prática desse professor é algo prenhe de ética e de respeito.
O aluno é alguém que chega a escola preenchido da sua leitura de mundo e tendo a palavra sobre este mundo, mundo captado sob seus olhos, sob seus sentidos, com a sua interpretação, encharcada dos seus valores e da sua cultura.
Educar é uma prática de liberdade e como nos bem diz Rubem Alves, quem melhor pode falar sobre o trabalho dos professores senão os alunos?
A escola tem que ser vista como um espaço de integração, de inclusão, de desenvolvimento.
Enfim, a escola e seus profissionais devem estar atentos a sua função maior, que é servir a comunidade e dar ao sujeito o papel que cabe a ele. Pois que de outro jeito a escola colabora no sentido de preparar sujeitos para serem sujeitos de sua própria marcha, caminhada ou trajectória, com posturas situadas e críticas diante de suas realidades?
Assim, não cabe a ninguém restringir espaços e funções daqueles que constroem a relação pedagógica no dia-a-dia.
A realidade não tem que ser vista como algo intocável, firmada apenas no que está aparente.
“Toda realidade está aí segundo a possibilidade de intervenção e/ou transformação nela”, como afirmou Paulo Freire em sua última entrevista em vida.


Referencias

Paz, Aline D. Pedagogia da Autonomia. In: Recensio. Revista de Recensões de Comunicação e Cultura. Encontrada em: http://www.recensio.ubi.pt/modelos/recensoes/recensao.php3?codrec=38. Pesquisada em 25/02/2008.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Reflexões sobre o nazismo e as nossas responsabilidades

Quando pensamos que já vimos tudo, ainda temos mais a saber sobre o que os judeus sofreram na época do nazismo ou mesmo depois disso. Pouco a pouco, a verdade, os relatos de pessoas, vidas que se perderam vêm à tona. Nada que saibamos sobre a história judaica dos sobreviventes ao holocaustos deixa de nos assombrar e revela o quanto pessoas sofreram por essa página horrenda da história mundial.
Hoje eu assisti o filme o Pianista. Outro dia assisti um vídeo na página do msn. Outros mais trazem esse assunto à tona. Não sei se revolta a você o que vê ali, mas revolta-me a mim.
O que um ser humano é capaz de fazer ao outro? Quanto sofrimento é capaz de provocar?
Qualquer coisa que se diga, que se revele do Nazismo, de suas vítimas (histórias, relatos, memórias, números de parentes mortos ou desaparecido), do extermínio de milhões de pessoas nem se aproxima do que verdadeiramente foi aquilo, do que representou para os que ficaram, para os que sobreviveram, para os que nos contam suas histórias, suas perdas e cicatrizes.
Estar vivo diante de toda a família que foi separada e levada para lugar desconhecido, entregue a todo tipo de crueldade, pode ser considerada felicidade, uma oportunidade do destino ou uma fatalidade?
Em nome do que se tira as liberdades básicas e individuais de pessoas? Em nome do que tira-se o direito à vida, a liberdade de ir e vir, delimitando espaços, lhe relegando condições mínimas de existência?
Desde quando as pessoas ou um grupo delas foram nomeadas a "libertarem" o mundo da existência de outros grupos por elas discriminadas? Quem lhes dá esse poder? Quem lhe retira?
Como o mundo percebe essa situação nos dias de hoje? Como reage? Que reflexos nos comportamentos registados em umas das páginas "negras" (e até esse termo é discutível!) da história da humanidade?
Quem pagará a conta dos sonhos que foram tirados a esses jovens? Se fossem só os sonhos! Quantos não chegaram a viver para lamentar os sonhos roubados por terem se atrevido a perguntar para onde os alemães os levavam ou porque assim foi determinado por ordens nazis superiores.
Nem tempo tiveram muitos para chorar seus mortos. A muitos foi negado a capacidade de reacção aos entes que iam morrendo diante de seus olhos.
Cada minutos de seus dias eram carregados de sobressaltos, pios não sabiam se no minuto seguintes estariam vivos. Todos estamos sujeitos a morrer em qualquer eventualidade. Basta estarmos vivos. Mas naquela situação, bastava que um soldado alemão escolhesse um judeu qualquer e no minuto seguinte, este aumentava a estatística de judeus mortos na Alemanha, Polónia e outras partes do mundo.
Foi extermínio puro e os exterminados sabiam que iam morrer.
Foi desumano e não tiveram como se defender.
E quanto demorou para a ajuda chegar!
Permanecer vivo em tempos como aquele devia-se a favores caso se conhecesse alguém com influências do outro lado, suborno, pela "boa vontade" ou "bom humor" de algum soldado.
Num frio de lascar (para quem conhece o inverno europeu e de qualquer país do norte ou extermidade do planeta, sabe que não é brincadeira, nem para esquecer), as pessoas andavam andrajosas (pelo menos no Brasil, na época da escravatura, havia o calor e os escravos recebiam tecidos com os quais constituíam suas vestimentas), se alimentavam parcamente, mas eram submetidas a todo tipo de trabalho. E tinham que dar graças por estarem vivos.
Eram as vítimas de soldados alemães em suas torpes, desumanas, indignas e inomináveis diversões. (Houve dentre os soldados aqueles que ajudaram alguns judeus, mas foram poucos e até entende-se porque. Ajudar um judeu era punido com morte)
A punição para quem ajudasse um judeu era a forca. Por isso, toda e qualquer ajuda que ocorria se dava em meio a muitas dificuldades, perigos e secretismos.
Viviam ou sobreviviam das rações de comidas que recebiam. A batata era o elemento principal nas refeições, quando havia.
Foram separados por muros, por distâncias desconhecidas, pelo silêncio, ausência de informações ou por palmos de terra dos seus familiares e afectos.
"Não sei de que lado do muro estou" (trecho do filme)
Reviravoltas de emoções: ira, nojo, medo, horror, pavor, desespero, tristeza, ansiedade, receios, surpresa, etc, etc, etc.
Qual era o melhor papel diante de tudo que as pessoas viveram? Haveria um papel assim? Mas onde se queria estar, onde se poderia estar? Para alguns, bastaria estar longe de toda a tristeza e desespero. Mas como esquecer os que ficaram? Como sorrir e dormir sossegadamente quando outros ainda gemem e choram?
Não há como apagar tudo que aconteceu naqueles anos. Mas não se pode fazer uma coisa: esquecer. Nem deixar que algo se repita em nossa história, em nossos actos, em nossas mentes, em nossas vidas.
Com a vida não fantasia-se. Não se recupera ou trazem de voltas as pessoas que morreram. Não se desfazem palavras, erros, acções. Não se corrige o passado. Mas se pode escrever uma nova história, inventar uma nova página, buscando-se não cometer os mesmos erros, mas de olhos postos naquilo que já ocorreu. É necessário não descuidarmos da discriminação, dos separatismos, dos selectivismos que ainda andamos a fazer.
Temos que aprender com a vida. Para que as pessoas não morram por nossos erros e principalmente, por nossas ideias.
Boa reflexão!

domingo, 30 de março de 2008

Se elas estão aí, mais fácil é fazer uso delas! Que venham as NTIC!

O tempo passa e as responsabilidades vão apenas aumentando. A dissertação ainda está surgindo. As tecnologias passam a fazer parte da minha vida diariamente através das leituras ncessárias para a minha pesquisa e pelo uso cada vez mais frequente de novas ferramentas e tecnologias. Afinal de contas se os idealizadores das NTIC conseguem tornar a nossa vida muito mais simples criando ferramentas de organização de tarefas e espaços de edição de conteúdos, então, por que não fazer o uso deles com máximo gozo? Ehehehe
É claro que na maioria dos contextos, isso não se dá sem alguns impactos e outras alterações, contudo acredito que cabe a cada um tomar ciência das necessidades postas pelas novas realidades e fazer uso das inúmeras potencialidades destes novos suportes.

E que venha o século XXI!
Um abraço!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Isso também é com você

Vivemos um tempo que clama por integração, por inclusão, por reparação de desigualdades. Para isso, um novo tipo de Sociedade (e destaco o papel e a importância dessa Sociedade ao escrevê-la com S maiúsculo), formada por sujeitos que se percebam plurais e reconheçam a pluralidade ao seu redor. Falo da pluralidade de pensamento, de comportamentos, de atitudes e posturas, de crenças. Pois, não existe integração, inclusão nem reparação sem respeito, sem consciência de espaços e limites.
Vivemos num tempo de transição e de mudanças necessárias para uma outra condição de humanidade. Uma humanidade que se perceba rica de potencialidades, de interdependências, de íntimas ligações, onde cada sujeito é responsável pelo que faz a si mesmo e ao seu redor. Este sujeito é resultado também das múltiplas trocas, partilhas e influências que se processam ao seu redor, assim como do que se processa dentro dele mesmo.
Quando andamos na rua, o que nos liga ao outro é a semelhança em nossas humanidades. Não percebemos porém, que ao nos fecharmos em nossa visão de mundo, perdemos aquilo que nos faz elo da mesma corrente: a nossa complementaridade enquanto sujeitos únicos e diversos, singulares e plurais ao mesmo tempo.
No entanto, a vida é um todo dinâmico e contínuo. Mesmo os sujeitos que ainda se encontram na condição de não se perceber múltiplo e único, necessitado das relações tecidas com o outro. Até mesmo estes indivíduos serão pressionados a mudar, a alargar seus horizontes e perceber a necessidade de se integrar a um planeta necessitado de novas relações, novas posturas e inúmeras possibilidades de crescimento com o outro e para o outro.
Meus votos sinceros de sucesso na caminhada individual de descoberta do todo humano a cada um que aqui chegar!